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Abril de 2020

“Não foi nada mais do que aconteceu com milhares de nós. Quem não perdeu alguém ou alguma coisa? Posso andar por qualquer rua de Londres, esticar um braço e tocar em uma mulher ou um homem que perdeu um amante, um filho, um amigo. Mas eu… não consigo superar, Mickey. Não consigo superar.”

(Sarah Waters, "Ronda Noturna", p. 106)

Ronda Noturna, nossa segunda indicação desse mês, é uma das melhores obras da grande romancista inglesa Sarah Waters. Mais conhecida por seus romances históricos sobre a era vitoriana, a autora se volta nesse livro para os anos da Segunda Guerra Mundial.

Durante a guerra, Londres foi um alvo para os ataques aéreos dos alemães. A capital inglesa foi intensamente bombardeada durante a Blitz, de 1940 a 1941, e também pelos ataques V-1 e V-2, que aconteceram até o final da guerra, de 1944 a 1945. Durante esse período, a vida civil em Londres foi marcada pelo medo e ansiedade constantes, além do contato direto com a violência da guerra. Os bombardeios romperam com a normalidade, e instauraram um novo cotidiano, autorizando comportamentos que antes não seriam permitidos. Ao mesmo tempo, o medo constante da morte tornava os sentimentos - negativos e positivos - mais vívidos e intensos. É nesse cenário de uma cidade destruída e aterrorizada, em que as paixões podem correr livremente, que Sarah Waters ambienta o romance.

O livro começa em 1947, no pós-guerra. Os quatro protagonistas - Kay, Helen, Viv e Duncan - tentam desesperadamente esquecer-se do passado e lutam para reconstruir suas vidas e se ajustar aos tempos de paz. A narrativa, no entanto, volta no tempo para 1944, e por fim, 1941. É no passado desses personagens que a história atinge sua potência dramática, à medida que mergulhamos em suas memórias e descobrimos os traumas causados pelo conflito. As descrições nítidas de Waters nos transportam para a Londres da guerra e somos absorvidos pelo cotidiano dos personagens enquanto seus segredos e conexões são finalmente revelados.

“Não somos flores para serem colhidas e protegidas, capitão. Somos flores que florescem no mal.”

(Kate Quinn, "A Rede de Alice", p. 245)

A indicação literária do mês é "A rede de Alice", romance da escritora estadunidense Kate Quinn.

Em 1915 Evelyn Gardiner abandona seu emprego de secretária e se torna espiã. Ela é enviada a Lille, região ocupada pelos alemães durante a Primeira Guerra Mundial, e treinada por Lili, a rainha das espiãs, que gerencia a maior e mais eficiente rede de espionagem da guerra, a famosa Rede de Alice. Eve passa a viver uma vida dupla e perigosa, se arriscando para conseguir informações para a Rede de Alice.

Em 1947 Evelyn Gardiner é uma velha ranzinza e solitária, assombrada pelo passado e que afoga a culpa que a consome na bebida. Um dia ela é surpreendida por Charlie St. Claire, uma jovem americana, que bate em sua porta no meio da noite em busca de informações.
Charlie tem 19 anos, é solteira e está grávida. Quando é enviada à Europa com a mãe para "cuidar" de seu “Pequeno Problema” (isto é, para fazer um aborto), Charlie aproveita a oportunidade e foge para Londres atrás de Eve. Sua prima Rose havia desaparecido durante a Segunda Guerra Mundial, e Charlie está determinada a fazer de tudo para encontrá-la - e Eve foi a última pessoa a ter alguma notícia sobre o paradeiro de Rose. Quando um nome do passado de Eve - ligado a dolorosa traição que destruiu a Rede de Alice - surge em conexão com Rose, as duas mulheres embarcam em uma viagem pela França em busca da verdade.

O romance histórico de Kate Quinn se baseia em fatos reais: a Rede de Alice e sua líder de fato existiram. O livro nos apresenta a experiência dessas mulheres cujas histórias foram esquecidas, que não receberam menções honrosas como os soldados, mas que tiveram a coragem de de arriscar tudo pelo esforço de guerra.

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