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Outubro de 2020

“Receio ter de protestar: eu não pertenço ao círculo dos filósofos, minha profissão, se podemos assim dizer, é a teoria política. Não me sinto de modo algum filósofa, nem creio ter sido aceita no círculo dos filósofos como você gentilmente supõe. Mas, para falar da outra questão levantada em suas observações iniciais: você diz que a filosofia costuma ser vista como uma ocupação masculina, porém não tem de continuar sendo uma ocupação masculina”

(Hannah Arendt em “Zur Person”)

Em setembro de 1964, Hannah Arendt deu uma entrevista ao jornalista Günter Gaus, no programa “Zur Person”, transmitida no mesmo ano, em outubro, pelo canal de televisão alemão ZDF. Nela, Arendt comenta sua trajetória pessoal, desde a infância até a emigração para os Estados Unidos, em virtude da ascensão do nazismo em sua terra natal, e também esclarece alguns pontos em relação às polêmicas acerca de seu livro “Eichmann em Jerusalém - Um relato sobre a banalidade do mal”. A obra havia sido recentemente lançada quando da entrevista, em 1963. Além disso, ela explora temáticas relacionadas ao livro “A condição humana”, um dos mais importantes de Arendt, bem como conta sobre seu processo de escrita e ressalta a importância que a noção de compreensão tem na sua produção.

A entrevista foi parcialmente traduzida para o inglês e publicada na coletânea de ensaios “Essays in Understanding”, denominada como “What remains: the language remains” (em tradução literal, “O que resta: a língua resta”). Em nosso país, ela foi publicada no livro “Compreender”, pela editora Companhia das Letras. A versão da entrevista que indicamos aqui foi disponibilizada e traduzida pelo Centro de Estudos Hannah Arendt (@hannaharendtbr) a partir do áudio original em alemão e recebeu o título “O que fica é a língua materna”. Seguindo a linha indicada por Arendt em sua fala, esse é um importante registro para quem quiser compreender mais sobre a sua vida e pensamento.

“Você sabe por que as pessoas gostam de violência? É porque é bom. Os humanos acham a violência profundamente satisfatória. Mas remova a satisfação e o ato se torna ... vazio”

(Alan, Turing, “O Jogo da Imitação”)

Vencedor do Oscar de 2015 na categoria de Melhor Roteiro adaptado, o longa “O Jogo da Imitação” narra a história de Alan Turing, um jovem matemático chamado para fazer parte de uma equipe de cientistas, o grupo GC&CS, para desvendar um código utilizado pelos alemães para enviar mensagens aos seus submarinos. O grupo era um braço da inteligência britânica destinado a decodificação de mensagens e o objetivo era efetuar a criptoanálise da Máquina Enigma, cujos códigos mudavam diariamente. Turing é enviado para o quartel do grupo em Bletchley Park, em 1939, para achar meios de realizar tal missão visando colocar o Reino Unido em uma posição vantajosa na Segunda Guerra Mundial. Em 1940, a partir de uma máquina decodificadora polonesa, ponto que não é demonstrado no filme, Turing consegue projetar a Bomba eletromecânica, que consegue realizar a decodificação. Posteriormente, outras máquinas similares foram construídas e, ao fim da guerra, mais de duzentas estavam operantes.

Paralelamente, o filme nos mostra parte da vida pessoal do matemático, que foi julgado em 1952 por praticar atos indecentes, uma vez que a homossexualidade era probida na Inglaterra, nesse período. Ele foi condenado e forçado a afastar-se de seu trabalho, passando por um “tratamento” à base de estrógeno, um hormônio feminino, que consistia em uma forma de castração química. Aos 41 anos, em 1954, Turing foi encontrado morto em sua casa, envenenado por cianeto. Muito especulou-se sobre a morte do cientista e, em 2009, o primeiro-ministro britânico desculpou-se publicamente pelo tratamento dado a Turing no pós-guerra e, em 2013, a rainha Elizabeth II concedeu o perdão real ao cientista e inocentou-o de sua acusação prévia.

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