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Agosto de 2020

“Nós também lutamos por esse país”

(Hector Negron)

Mais uma indicação do GEAP aqui no nosso feed!

A indicação de hoje começa com um misterioso assassinato. Hector Negron,um homem negro estadunidense, veterano condecorado da Segunda Guerra Mundial, atira em um homem no caixa de um banco. As motivações não estão claras para os policiais ou jornalistas debruçados sobre o caso, mas a cabeça de uma estátua, encontrada no apartamento do assassino leva as investigações até o interior da Itália, na região da Toscana onde em 1944 Hector serviu com na 92ª Divisão Buffalo, uma divisão do exército americano, à época, formada principalmente por soldados negros.

Spike Lee, nessa obra de 2008, nos leva a refletir sobre os impactos da 2ª Guerra na Itália, mais especificamente na cidade de Sant’Anna di Stazzema, que sediou um grande massacre de civis em Agosto de 1944. O filme aborda tangencialmente os conflitos raciais dos EUA que impactam a Divisão Buffalo durante os conflitos, a resistência italiana ao Fascismo de Mussolini e também os conflitos internos dentro do exército nazista. Milagre em Sant’Ana é acima de tudo um filme sobre humanidades e afetos que ultrapassam a narrativa nacionalista tão comum em filmes do mesmo gênero.

“Agora ouça, Dmitri, você sabe que sempre conversamos sobre a possibilidade de haver algo errado com a bomba. A bomba, Dmitri. A bomba de hidrogênio. É, pois bem, acontece que um dos nossos comandantes teve um problema e ficou com a cabeça um pouco abalada. Sabe, ficou maluquinho e fez uma coisa maluca. Bem, eu vou lhe contar o que ele fez: ordenou que os aviões dele bombardeassem o seu país” (Presidente Merkin Muffley no telefone com o premiê russo)

O filme que chegou ao Brasil com o nome “Dr. Fantástico”, do original “Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb”, faz uma crítica ferrenha e é uma famosa sátira do período que conhecemos como Guerra Fria. Dirigido por Stanley Kubrick e lançado em 1964, o filme foi inspirado no romance “Red Alert”, de Peter George, e narra a empreitada de um general insano que planeja um ataque nuclear aos comunistas, sob alegação de que estes estariam sabotando os reservatórios de água dos Estados Unidos. Concomitantemente, vemos o presidente dos Estados Unidos com seus inúmeros assessores no pentágono, tentando reparar a crise e impedir o ataque.

Com a crise dos mísseis de Cuba fresca na memória e a tensão da possibilidade de um ataque nuclear pairando no ar, Kubrick ironiza o contexto mundial, mostrando o potencial desastre que aconteceria caso a tecnologia das bombas de hidrogênio chegassem à pessoa errada. A paranoia do General Jack Ripper critica um patriotismo suicida estadunidense, que poderia levar à cabo uma destruição imensurável. Além disso, no papel do dr. Strangelove, vemos uma alfinetada com relação aos nazistas que voaram pelo Atlântico e continuaram trabalhando normalmente sob supervisão dos estadunidenses nos mais diversos projetos - de foguetes à bombas. Não podemos deixar de ressaltar o comportamento de Strangelove, que ironiza os nazistas em si, com as saudações involuntárias que o cientista tenta, sem sucesso, controlar. O retrato de “cientista maluco” também é algo que não deixa a desejar, configurando um arquétipo comum de representação dos nazistas no cinema.

Bom filme! 📽

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