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Novembro de 2020

"A ‘marcha sobre Roma’ galvanizou os movimentos fascistas nascentes da Europa [...]. A maré da história parecia mover-se na direção de Hitler; os dias de democracia estavam contados. À medida que a situação na Alemanha começou a se deteriorar com rapidez crescente ao longo de 1922 e 1923, Hitler começou a pensar que poderia fazer na Alemanha o mesmo que Mussolini havia feito na Itália"

(Richard Evans, “A chegada do Terceiro Reich”)

Inspirando-se no movimento fascista italiano, o movimento nazista, sob liderança de Adolf Hitler, apressou-se para organizar uma tentativa de tomada de poder. O contexto alemão no início da década de 1920 era conturbado e foi acirrado quando o governo não cumpriu os pagamentos de reparação referentes à Primeira Guerra e tropas coloniais francesas ocuparam o Vale do Ruhr, uma região na Alemanha. Os nacionalistas reagiram fortemente, considerando uma humilhação inaceitável, e o ocorrido contribuiu para a perda de legitimidade da República.

Com o governo abalado e o aumento do apoio às ideias defendidas pelo seu movimento, Hitler se articulou com Erich Ludendorff e outras figuras que ganharam, mais tarde, um papel central no Terceiro Reich, como Hermann Göring e Ernst Röhm, para dar um golpe no governo bávaro. A data foi estabelecida para 9 de novembro, aniversário da Revolução de 1918 que derrubou o regime do Kaiser. Na noite de 8 de novembro, Hitler e um grupo de camisas-pardas fortemente armados adentraram em uma reunião que ocorria na Bürgerbräukeller, uma cervejaria em Munique, e declararam que o governo estava deposto.

Depois, Hitler e Ludendorff decidiram marchar sobre o centro da cidade com seus apoiadores em direção ao Ministério da Guerra. Porém, o grupo se deparou com policiais armados, iniciando uma troca de tiros e agressões. Alguns envolvidos foram presos no local e Hitler foi para a casa de campo de Ernst Hanfstaengl, um amigo próximo, onde foi encontrado e preso em 11 de novembro. Ele nomeou Alfred Rosenberg e Gregor Strasser como líderes do partido, temendo que simpatizantes da esquerda se apoderassem deste durante a sua prisão. Durante seu período no cárcere, Hitler escreveu seu manifesto político, Mein Kampf.

“Em Berlim, cinco, depois 15 sinagogas queimadas. Agora a ira do povo está grassando. [...] Enquanto sigo de carro para o hotel, janelas espatifam-se. Bravo! Bravo! As sinagogas ardem em todas as cidades grandes. As propriedades alemãs não estão em perigo”

(Diário de Joseph Goebbels)

No dia 7 de novembro de 1938, o polonês Herschel Grynszpan descobriu que seus pais haviam sido deportados da Alemanha, onde a família vivia. Como estava em Paris, ele se dirigiu enfurecido a embaixada alemã e atirou no oficial subalterno Ernst vom Rath, que faleceu no dia 9, devido aos ferimentos. Assim que recebeu a notícia, Hitler ordenou a Goebbels que organizasse uma ação em larga escala contra os judeus alemães. O objetivo era aterrorizar a população judaica com uma onda de violência de modo a acelerar as emigrações para fora da Alemanha.

As ações dos nazistas deixaram muito claro que o atentado foi um mero pretexto para o pogrom, e não a causa. Oficialmente, os nazistas foram instruídos a não instigar atos violentos, mas a não interferir caso acontecessem. Mas os oficiais do Partido compreenderam muito bem suas ordens, subentendidas: eles não deveriam aparecer publicamente como os organizadores do pogrom, mas deveriam levá-lo a cabo. Os camisas-pardas rapidamente tomaram as ruas e iniciaram a destruição.

A “noite dos cristais” recebeu esse nome quando, no dia seguinte, a população alemã acordou para ver as calçadas cobertas de vidro quebrado. Cerca de 7 mil lojas e estabelecimentos judaicos foram depredados e saqueados, assim como casas e apartamentos, e mais de 250 sinagogas foram incendiadas. Centenas de judeus foram mortos, atacados e submetidos a humilhações públicas. Além dos 30 mil homens que foram enviados para campos de concentração.

O pogrom da “noite dos cristais” não foi obra da população alemã. Mas, seja por medo, antissemitismo latente, ou mera indiferença, os alemães tampouco ofereceram qualquer resistência. No fim, o resultado foi o mesmo: os nazistas entenderam que poderiam tomar qualquer atitude contra os judeus e permanecer impunes.

“As provas reunidas pelos historiadores eram esmagadoras em volume e conteúdo. E suas análises, profundas e irrefutáveis. Mostravam de forma razoavelmente indubitável que o Holocausto era uma janela [...]. Não achei nada agradável o que vi dessa janela. Quanto mais deprimente a vista, porém, tanto mais convencido fiquei de que recusar-se a olhar seria temerário para quem o fizesse”

(Zygmunt Bauman, “Modernidade e Holocausto”)

O sociólogo Zygmunt Bauman nasceu em Poznań, na Polônia, em 19 de novembro de 1925, em uma família de judeus poloneses não-praticantes. Com a invasão e anexação do país em 1939, a família de Bauman foi para a União Soviética e, durante a Segunda Guerra, ele serviu ao Primeiro Exército polonês, sob comando da URSS, como instrutor político. Entre as décadas de 1940 e 1950, foi militante do Partido Operário Unificado Polaco, sendo que apenas renunciou à sua filiação em 1968, sob pressões políticas conectadas aos expurgos antissemitas realizados no interior do partido. Em 1945, conheceu sua esposa Janina Lewinson-Bauman nos acampamentos de refugiados polacos. Janina havia sido prisioneira no Gueto de Varsóvia e publicou uma obra que narra suas experiências durante o período da guerra, com a qual Bauman dialoga em seu prefácio de “Modernidade e Holocausto”.

Bauman estudou sociologia na Academia de Política e Ciências Sociais de Varsóvia e, após completar seu mestrado, tornou-se professor assistente da Universidade de Varsóvia, onde permaneceu até 1968. Neste ano, Bauman e sua família foram para Israel, onde lecionou na Universidade de Tel Aviv e, em 1971, aceitou o convite para tornar-se professor de sociologia na Universidade de Leeds, na Inglaterra, onde estabeleceu-se permanentemente. Crítico da modernidade e da pós-modernidade, Bauman tornou-se conhecido por obras como “Amor Líquido”, “Modernidade Líquida”, “O Mal-Estar da Pós-Modernidade”, “Cegueira moral” e “Mal líquido”. Nelas, Bauman explora, entre outros assuntos, as relações infrequentes e instáveis entre os indivíduos da modernidade, explorando as incertezas e as impermanências dos nossos tempos.

“Eu estou investindo de grande importância as conversas pessoais e íntimas que você, Churchill e eu teremos, pois delas dependem as esperanças do mundo futuro.”

(Carta de Roosevelt para Stalin, 14 de outubro de 1943)

A Conferência de Teerã foi o primeiro dos encontros entre os líderes das três maiores potências aliadas: Grã-Bretanha, Estados Unidos e União Soviética, representados respectivamente em Teerã por Winston Churchill, Franklin Roosevelt e Josef Stálin. A URSS havia vencido em janeiro a batalha de Stalingrado, virando a guerra definitivamente contra a Alemanha nazista. Portanto, Teerã foi fundamental para definir um equilíbrio de poder dinâmico entre os Aliados. As decisões tomadas em conjunto pelos três países tiveram impactos significativos no curso da guerra e até mesmo posteriormente.

A decisão mais importante atingida em Teerã foi a confirmação de uma data para a Operação Overlord. Essa operação, encabeçada pelos Estados Unidos, era um plano detalhado para a invasão da França ocupada, que começou com o famoso Dia-D, quando as tropas Aliadas desembarcaram na Normandia. Essa garantia era fundamental para Stalin, pois significaria a abertura de uma front ocidental, dividindo o exército alemão e auxiliando o esforço de guerra no leste. Churchill tentou, sem sucesso, deslocar a operação para o Mediterrâneo, tirando proveito da capitulação da Itália. Ele temia que uma invasão pela França deixaria a URSS livre para ocupar a Europa Central e os Bálcãs, o que de fato aconteceu.

A aliança entre os três países foi fundamental para a vitória Aliada, e isso se refletiu na época em um clima de otimismo contagiante, ainda que um pouco desmedido. As expectativas eram de que a guerra terminaria em março de 1944, ou no mais tardar em novembro.

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